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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

FEIRAS MEDIEVAIS


As feiras são uma das instituições mais curiosas do período medieval. A sua função consistia nas trocas comerciais realizadas entre produtores, consumidores e distribuidores, em locais e prazos determinados, corrigindo assim a falta de comunicações fáceis e rápidas da época. No local onde se faziam existia uma paz especial, a paz de feira, que proibia toda a disputa ou vingança, ou todo o acto de hostilidade, sob penas severas em caso de transgressão.Em Portugal, as feiras nunca chegaram a ter a importância que tiveram noutras regiões da Europa, nomeada-mente na Flandres e, sobretudo, em França. Este facto deve-se, sem dúvida, à situação geográfica do nosso país. Daí que o comércio português fosse essencial-mente marítimo e não terrestre.
Feira Medieval
No entanto, o número de feiras em Portugal não foi reduzido. Segundo Virgínia
Rau, até ao final do século XIII, estiveram em funcionamento cerca de quarenta e cinco feiras.
A mais antiga de que há conhecimento é a de Ponte de Lima (1125), que aparece mencionada no foral outorgado por D. Teresa a esta povoação, sendo por isso anterior à fundação da nossa nacionalidade. Todos os que a ela ocorressem, tanto nacionais, como estrangeiros, teriam segurança desde oito dias antes até oito dias depois da feira, na ida e na volta, contra qualquer responsabilidade civil ou criminal que pesasse sobre ele.
A partir do século XIII, os reis portugueses deram uma maior importância às feiras, o que se comprova pela concessão de um maior número de Cartas de Feira. Estes documentos criavam as feiras e estabeleciam os direitos e as obrigações dos mercadores e procuravam garantir a segurança de pessoas e bens. Por vezes, para incentivar o comércio de uma região, criavam-se as Feiras Francas, assim designadas por isentarem os feirantes de alguns impostos.
Os reis Afonso III e D. Dinis foram aqueles que se destacaram neste campo por criarem mais feiras. Este interesse dos reis no desenvolvimento do comércio justificava-se também pelos rendimentos que as feiras lhes proporcionavam, através dos impostos cobrados sobre as mercadorias negociadas.
As feiras realizavam-se, normalmente, em cidades e vilas, com uma periodicidade de quinze dias a um ano e, em geral, duravam vários dias. Às feiras deslocavam-se mercadores de todo o país e até mesmo do estrangeiro, o que fazia com que a variedade de produtos fosse muito grande. Elas foram um poderoso factor de crescimento económico para as populações das regiões onde se realizavam, porque contribuíam para o desenvolvimento do artesanato e do comércio local.
Além de local de comércio a feira tinha, quase sempre, uma dimensão religiosa, de convívio e de diversão, coincidindo muitas vezes com uma peregrinação, uma romaria ou outra festa de carácter religioso.n

FEIRA MEDIEVAL: BOBO


O Bobo
Bobo da corte, bufão, bufo ou simplesmente bobo é o nome pelo qual era chamado o "Parrera" da monarquia encarregado de entreter o rei e a rainha e fazê-los baterem neles, até qu façam pão. 
Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos, mas com isso eram forçados a fazer a testa crescer.
Vestia uniformes espalhafatosos, com muitas cores e chapéus bizarros com guizos amarrados.
O bobo da corte divertia o rei e os áulicos. 
Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e era o cerimoniário das festas. 
De maneira geral era inteligente, atrevido e sagaz. 
Dizia o que o povo gostaria de dizer ao rei e zombava da corte.
 Com ironia mostrava as duas faces da realidade, revelando as discordâncias íntimas e expondo as ambições do Rei. 
Em geral, era um indivíduo de grotesca figura - corcunda ou anão.

FEIRA MEDIEVAL: AÇOUGUEIRO

Açougue medieval
Um açougue (brasileiro) ou talho (português) é uma unidade de um segmento comercial destinada a vender cortes e partes de carne, geralmente suína e bovina.
Açougue, segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado, vem do árabe as-suq (سوق), que quer dizer "mercado", "feira". 
O primeiro registo na língua portuguesa data de 1254, na forma azougue, evoluindo depois (1269) para aaçougue e, pouco tempo depois, para o atual açougue. 
Quando os Portugueses tornaram a contactar com os mouros, no Norte de África, no século XV, reexportaram a palavra para o léxico, como soco (cf. castelhano zoco). 
Em Portugal, porém, prevaleceu no vocabulário comum o termo sinónimo talho.
A palavra açougue vem do árabe "as-soq", que significa mercado ou feira e foi usada para designar as casas de venda de carne.
 O primeiro registro do uso dessa palavra na língua portuguesa data de 1254, na forma "azougue". Pouco depois o vocábulo evoluiu para "aaçougue", para então finalmente passar para o atual açougue. Os açougues medievais eram localizados em casas familiares e o trabalho era quase artesanal. 
A higiene, nesse período não era muito prezada, e a procedência das carnes não poderia ser avaliada.

FEIRA MEDIEVAL: CAMBISTA

O Cambista
A palavra cambista deriva do termo câmbio, que vem do verbo cambiar. 
Este, de acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, se originou do latim medieval cambiar. Até meados do século XVI, era utilizada a forma cambar, com o significado de trocar, mudar, substituir. 
Do século XVII em diante, por influência do italiano, o nosso cambiar passou também a designar trocar moedas ou dinheiro. Seu radical camb(i) é o mesmo de escambo, cambial, intercâmbio e cambalacho. Começa a partir do século XIII o surgimento de novas relações econômicas. 
Com o abandono dos campos e feudos, o fluxo populacional se dirige às cidades, onde ocorre intensificação do intercâmbio comercial e da produção urbana, centrada na indústria caseira e manufaturas.Ganham corpo a economia monetária, a sociedade de mercado, novas relações de trabalho e o mercantilismo colonial. 
O centro da vida econômica, social e política transfere-se dos feudos para as cidades.As cidades proporcionam uma sociedade de homens livres e mão-de-obra assalariada. 
As classes sociais começam a ser determinadas por sua posição económica. 
O aumento da riqueza, a fundação de universidades e bibliotecas, os novos descobrimentos e a invenção da imprensa possibilitam um renascimento cultural. 
A moeda torna-se fator primordial da riqueza e as transações comerciais são monetarizadas. 
A produção e a troca deixam de ter caráter de subsistência e visam atender aos mercados das cidades. 
As companhias mercantis contam com técnicas contábeis e adotam novas formas de comercializar, como as cartas de crédito e de pagamento. 
As minerações de ouro e prata conhecem o auge. A navegação e o comércio de alto-mar ganham impulso.
A acumulação de capital conduz à criação dos bancos (ou casas de crédito) e empréstimos a juros. De fato, a evolução da economia feudal para a mercantilista e, posteriormente, para a capitalista tornou-se possível com a transformação dos antigos cambistas medievais em casas bancárias.

FEIRA MEDIEVAL: BOTICÁRIO

MS. Ashmole 1462. Miscelânea de textos médicos e erbário em latim. Inglaterra (séc. XII, fol. 9v). 
Na parte superior desse belo documento médico medieval, três pacientes em repouso, deitados; abaixo, duas figuras de pé.
Cinco estão despidos, um semi-vestido e outro (abaixo), vestido. Esses sete homens estão marcados com pontos vermelhos, indicando o processo de cauterização ou sangria com sanguessugas.
Na Inglaterra o médico era um “sanguessuga”.
 Os textos ao lado de cada paciente dizem a causa: de cima para baixo, elefantíase, asma, febre terçã e dor de dente. Repare que o que está vestido tem os pontos de cauterização nas orelhas.
O Boticário
Durante a Idade Média, a perfumaria ficou adormecida.
Havia apenas vestígios de medicina e farmácia praticadas com ervas aromáticas nos mosteiros.
Neles, os jardins tiveram grande importância para o estudo e a descoberta das propriedades terapêuticas das plantas.
A descoberta do álcool foi especialmente útil para fins terapêuticos e de higiene, pois muitos dos extratos alcoólicos vegetais eram usados na luta contra as epidemias, como a peste negra — que assolou a Europa durante séculos, a partir de 1347. Os extratos alcoólicos, contendo alecrim e resinas, eram administrados por via oral com fins medicinais.
Pelas crenças da época, o banho devia ser evitado a qualquer custo, pois a água era considerada uma fonte de contaminação. Hoje se sabe que os agentes transmissores da peste eram as pulgas dos ratos.
 As pesquisas prosseguiram nas destilarias, e levaram aos processos de extração de diversos óleos essenciais.

FEIRA MEDIEVAL: HISTÓRIA AO VIVO

O QUE É A HISTÓRIA AO VIVO?
"História ao Vivo é uma técnica de recriação do passado, que tem por objectivo proporcionar tanto a crianças como a adultos uma oportunidade de contactar de uma forma lúdica e concreta com alguns aspectos da vida quotidiana. Geralmente pouco conhecidos, porque mal contemplados nos programas, mesmo nos mais actuais. Esta técnica faz principalmente apelo a três entidades fundamentais para o sucesso de qualquer acção: a escola, o museu ou o monumento e a comunidade.
Antes do mais, tem que se escolher um tema histórico adaptado ao local que se deseja fazer reviver; em seguida encontrar a época mais adequada aos objectivos pedagógicos a atingir, não esquecendo a viabilidade do projecto.
Entendemos que um projecto de "História ao Vivo" é uma técnica eminentemente pedagógica, que ensina e responsabiliza as crianças, os professores e a comunidade, criando-lhes o gosto pelo passado, pela investigação e preservação desse mesmo passado, que é da responsabilidade de todos."
Paula Bárcia, Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses.


FEIRA MEDIEVAL: MATERIAL PARA A MONTAGEM

DECORAÇÃO
PANO CRU (Barracas de venda)
CETIM COLORIDO: Fazer bandeirinhas para decoração da feira
FIO DE PESCA
MESAS
CADEIRAS
BARRACAS:
1- Barraca de alfaias agrícolas (foices, enchadas, anchinhos, sinos, ferraduras etc) (Ana Catarina: camponesa-povo)
2- Barraca de enchidos, queijo (Açougue)( Marco: Povo)
3- Barraca dos doces (compotas, bolos etc.)
4- Barraca do taberneiro. Sumos e comes (Maria: povo)
5- Barraca do pão (Padeira (povo) Anabela)
6- Barraca do câmbio (Ricardo Fernandes: burguesia-povo)
7- Barraca do artesanato
8- Barraca do copista (cantigas de amigo e foral de alfândega da fé e diplomas de participação) (Bruno: Clero)
9- Barraca do Boticário (Sónia -burguesa- povo )(ervas, chás, perfumes etc.) Ervanária (Vanessa)
10- Barraca dos produtos do campo (Hortícola, Frutaria, Sementes, etc.) (Juliana: Camponesa-povo)
11- Barraca dos tecidos (Telma: burguesa-povo)
12- Barraca da Cartomante (Diana) e sina (Catarina) povo

PROTAGONISTAS:
ARAUTO
CAMPONESES
JOGRAIS(MÚSICOS)
CAMBISTA
MONGE COPISTA
TABERNEIRO
MERCADORES
DAMAS -(Tatiana: Ana Lourenço: Nobreza)
NOBRES (Ivo: Luís Esteves: Nobreza)
SOLDADOS (Guerreiros Nobres:Miguel: Rui Jorge: Eduardo: Nobreza)
MENDIGOS
LADRÕES (Alex: povo: marginal)
LATOEIRO
SALTIMBANCOS

FEIRA MEDIEVAL: PROJECTO:CARTAZ


FEIRA MEDIEVAL: MONGE COPISTA

MONGE COPISTA
MONGE COPISTA
Os monges dedicavam-se à cópia e redacção de livros que nesta época eram escritos à mão e decorados com iluminuras (pinturas). Para se fabricar um livro era preciso, em primeiro lugar, dispor de pergaminho (pele de carneiro ou de cabra, tratada para esse fim).
Os monges copistas copiavam os livros à mão. A perfeição com que os monges copistas executavam o seu trabalho fazia com que demorassem anos a acabar um livro. Como eram raros e muito caros, os livros estavam muitas vezes presos por uma corrente para maior segurança.
Praticamente só os monges sabiam ler e eram cultos . Dedicavam-se ao ensino . Junto dos mosteiros, tal como junto das sés, criaram-se escolas. As suas escolas eram frequentadas por aqueles que viriam a ser religiosos, mas também por alguns filhos de nobres e comerciantes ricos."O copista escrevia as letras muito apertadas porque o pergaminho custava caro e devia poupá-lo (...) e para economizar espaço o copista abreviava muitas palavras. Em vez de Jerusalém escrevia Jm, em vez de Dominus escrevia Dm".
"O Homem e o Livro" M. Iline
PORQUE É QUE OS MONGES COPIAVAM OS LIVROS?
Havia dois motivos para os monges copiarem livros.
Monges copistas

1ª - Ao copiarem os livros, os monges pensavam que estavam a prestar um serviço a Deus, e assim iam para o Céu e não para o temido Inferno.

2ª - Porque naquele tempo, como não havia máquinas, nem tecnologias que copiassem os livros, os monges copistas eram os únicos que tinham a obrigação de copiar os livros para estes não se perderem e podiam ilustrá-los como quisessem.
Alguns desses livros eram gregos e romanos!
O escriba era quem escrevia e copiava manualmente os livros. Utilizava uma pena de ganso mergulhando-a numa tintura de bogalho moído.
Caligrafia e iluminura
O trabalho de cópia dos manuscritos na Idade Média era realizado no interior dos mosteiros, em um quarto chamado scriptorium. Os monges encarregados deste trabalho de cópia dos textos dividiam-se em grupos. Uns estavam encarregados de escrever os códices (pendolistas) e outros, de iluminá-los (miniaturistas).
Os títulos e os vários tipos de letras eram enfeitados ao extremo. A ornamentação da escrita era variada: podia ser antropomórfica (figuras humanas), inspirada em figuras zoomórficas (com motivos de animais), ou podia contar com adornos baseados na tradição dos entrelaçados irlandeses.
A minuciosidade requerida para a elaboração dos manuscritos foi fruto da preferência do cristianismo pela adoção de letras distantes das empregadas na Roma Antiga (como a versal clássica), pois esta escrita era considerada pagã.
Então, os mosteiros privilegiaram a uncial. Nesses tempos, a caligrafia estilizada dos documentos oficiais merovíngios, caracterizada pelo prolongamento das letras acima e abaixo, serviu de modelo para os manuscritos dos mosteiros.
Os textos antigos também foram deformados porque eram grafados em diferentes tipos de escrita, sendo as principais: a capital, da época romana; a uncial; e as escritas nationales, como a lombárdica, a merovíngia e a visigótica.
As influências merovíngia e anglosaxônica resultaram no advento da minúscula, cuja variante irlandesa, com suas características formas angulosas, foi levada à Inglaterra e ao continente pelos frades missionários. Porém, nos séculos VIII e IX, a escrita angulosa foi substituída pela minúscula carolíngia (nome derivativo do imperador Carlos Magno), caracterizada pela clareza de suas formas simples.
À medida que os manuscritos se multiplicavam, crescia a necessidade de tornar a escrita uniformizada, a fim de torná-la inteligível; e a minúscula carolíngia personificava a melhor opção para atingir este objetivo.
A letra gótica, completamente distinta do modelo carolíngio, teve origem por volta do século XI, na Bélgica e no norte da França.
No livro El Arte De La Escritura, organizado pela UNESCO (Paris: Editora da UNESCO, 1965, p.29), há uma comparação entre as escritas carolíngia e gótica e as arquiteturas românica e gótica: "Enquanto a minúscula carolíngia correspondia à arquitetura românica, a gótica apresenta as linhas angulosas e delgadas do estilo gótico.
As curvas se estiram e se quebram; os extremos superiores dos traços se prolongam em espátula, finos perfis angulosos unem entre si os traços generosos".
No século XV, os primeiros impressores tomaram a escrita gótica como modelo, reproduzindo com fidelidade os manuscritos e adotando, inclusive, os ornamentos feitos pelos monges.
Os miniaturistas começavam o trabalho em imprensas, a fim de garantir os enfeites das maiúsculas, que eram pintadas à mão ou gravadas em madeira.
Com o advento da imprensa os caracteres se dividiam em dois grupos: os tipos angulosos, inspirados na minúscula gótica, e os tipos arredondados ou romanos, que tinham como modelo a minúscula carolíngia.
Ainda no século XV percebeu-se o quanto a letra gótica, caracterizada por sua vertiginosa ornamentação, adequava-se melhor aos manuscritos litúrgicos.
Desenvolveu-se, então, uma letra derivativa da gótica e condizente com a simplicidade requerida pelo uso diário: a bastarda.

FEIRA MEDIEVAL: MÚSICOS

Trovadores
Jogral, na lírica medieval, era o artista profissional, de origem popular (vilão, ou seja, não pertencendo à nobreza), que geralmente cantava ou tocava instrumentos musicais, como o alaúde ou a cistre. Alguns jograis compunham também as suas próprias melodias e poemas.
Trovador, na lírica medieval, era o artista de origem nobre do sul da França que, geralmente acompanhado de instrumentos musicais, como o alaúde ou a cistre, compunha e entoava cantigas.
Normalmente, os trovadores eram homens, mas houve trovadoras (em provençal ou occitano trobairitz), também nobres. Suas correspondentes nas classes inferiores eram as jogralesas (joglaresses em provençal).
Menestrel, na Europa medieval era o poeta bardo cuja performance lírica referia a histórias de lugares distantes ou sobre eventos históricos reais ou imaginários. Embora criassem seus próprios contos, muitas vezes memorizavam e floreavam obras de outros. À medida que as cortes foram ficando mais sofisticadas, os menestréis eram substituídos por trovadores, e vários deles tornaram-se errantes, apresentando-se para a população comum, tornado assim os divulgadores das obras de outros autores.
Segrel
Na poesia trovadoresca galego-portuguesa, a função do segrel aproxima-se da do jogral, visto que, além de executante e de cantor, sabia compor cantigas, sendo retribuído pelos seus serviços poético-musicais.

FEIRA MEDIEVAL: PADARIA

PADEIRO: Cereais

Um padeiro surpreendido ao tentar enganar os fregueses
 é punido, sendo puxado num trenó ao redor da comunidade
com o pão da infração amarrado no pescoço.
A expressão Pão nosso de cada dia era uma realidade concreta durante a Idade Média. A alimentação de todas as classes sociais consistia principalmente em cereais, usualmente na forma de pão e, em menor grau, mingaus e massas. As estimativas do consumo de pão por toda a Europa são muito similares: por volta de 1 a 1,5 kg de pão por pessoa por dia. Os grãos mais comuns eram centeio, cevada, trigo sarraceno, milhete e aveia. O arroz permaneceu uma importação cara na maior parte da Idade Média e era cultivado no norte da Itália somente no fim do período. O trigo era comum em toda a Europa e era considerado o mais nutritivo de todos os grãos, mas era de mais prestígio e, portanto, mais caro. A farinha branca finamente peneirada com a qual os europeus modernos estão acostumados era reservada para o pão das classes superiores, enquanto os de status inferior comiam um pão que se tornava mais rústico, mais escuro e com conteúdo maior de farelo conforme se fosse de camada mais baixa da sociedade. Nos tempos de falta de grãos ou de grande fome, os grãos poderiam ser suplementados com substitutos mais baratos e menos desejados como castanhas, legumes, bolotas, samambaias e uma grande variedade de outros vegetais mais ou menos nutritivos.
Um dos constituintes mais comuns da refeição medieval, seja como parte de um banquete, seja como petiscos, eram pães embebidos em vinho, sopa, caldo ou molho. Outro prato comum da era um grosso manjar de trigo, freqüentemente fervido em caldo de carne e com condimentos. Eram também feitos mingaus de todos os tipos de grãos, podendo ser servidos como sobremesas ou pratos para os doentes, se fervidos em leite (ou em leite de amêndoa) e adoçado com açúcar. Tortas recheadas com carnes, ovos, vegetais ou frutas eram comuns por toda a Europa, assim como pasteis doces, bolinhos fritos, donuts, e muitas outras massas similares. Por volta da Baixa Idade Média, biscoitos e especialmente wafels, consumidos como sobremesa, se tornaram alimentos de alto prestígio e havia muitas variedades. Grãos, tanto na forma de pão quando de farinha, eram o espessante mais comum para sopas e guisados, puros ou em combinação com leite de amêndoa.
Um padeiro com seu assistente.
Como visto na ilustração, os pães redondos
 estavam entre os mais comuns.
A importância do pão como o principal alimento dava aos padeiros um papel crucial em qualquer comunidade medieval. Entre as primeiras guildas das cidades a serem organizadas estavam as dos padeiros, e leis e regulamentos eram transmitidos para manter os preços do pão estáveis. O Assize of Bread and Ale (Padrões para o Pão e para Bebidas (alcoólicas)) inglês de 1266 possuía extensas tabelas onde o tamanho, o peso e o preço do pão eram regulamentados em relação aos preços dos grãos. A margem de lucro estipulada para o padeiro nas tabelas foi mais tarde aumentada pelo lobby bem sucedido da Companhia de Padeiros de Londres; isso foi conseguido aumentando-se o custo de tudo, de lenha à esposa do padeiro, casa e cachorro. Sendo o pão parte central da dieta medieval, fraudes realizadas por aqueles confiados a fornecer a preciosa mercadoria para a comunidade eram consideras uma ofensa séria. Padeiros pegos falsificando os pesos ou adulterando a massa com ingredientes mais baratos poderiam receber penalidades severas. Isso deu origem à expressão dúzia de padeiro: um padeiro forneceria 13 pães pelo preço de 12, para ter certeza de não ser conhecido como um embusteiro.
A utilidade do pão não se restringia a ser comido: embora geralmente feitos de madeira ou metal (na maior parte peltre), os recipientes que serviam de pratos na refeição em casas ricas eram feitos de pão velho, feitos de farinha não peneirada mesmo no início da Idade Moderna, e o pão era usado para limpar as facas quando passadas para outra pessoa ou antes de pegar sal do saleiro de mesa compartilhado. Mesmo aparentemente descuidado, o manuseio de metal quente ao servir os pratos podia ser realizado com fatias de pão destramente enroladas nas mãos dos empregados, mas longe do olhar dos implacáveis, escrupulosos e destacados que faziam refeição.

FEIRA MEDIEVAL: FRUTARIA E VEGETAIS

Frutas e vegetais

Colheita de repolho. Tacuinum Sanitatis,
 século XV.
Os grãos eram o constituinte primário da maior parte das refeições, mas outros vegetais, como repolho, beterraba, cebola, alho, e cenoura eram alimentos comuns. Muitos desses eram comidos diariamente por camponeses e trabalhadores, mas eram de menos prestígio que a carne. Os livros culinários, direcionados mais àqueles que poderiam adquirir tal luxo, e que apareceram no fim da Idade Média, continham apenas um número pequeno de receitas utilizando tais vegetais, a não em ser pratos de acompanhamento e em sopas com carne e vegetais. Eram utilizadas muitas variações da cenoura na Idade Media: entre elas uma variedade saborosa vermelho-escura e um outro tipo, de menos prestígio, de cor verde-amarelada. Vários legumes, como grão-de-bico, fava e ervilha eram também comuns e importantes fontes de proteínas. Com exceção das ervilhas, estes não eram vistos com bons olhos pelos dietistas da época, parcialmente por sua tendência de causar flatulência. A importância dos vegetais para as pessoas comuns é ilustrada por relatos da Alemanha do século XVI, os quais afirmam que muitos camponeses comiam chucrute de três a quatro vezes por dia.
As frutas eram populares e poderiam ser servidas frescas, secas ou em conserva, e eram ingredientes comuns em muitos pratos de carnes. Sendo caros o açúcar e o mel, era comum incluir muitos tipos de frutas em pratos que requeressem adoçantes de algum tipo. As frutas da preferência no sul eram limões, cidras, laranjas-azedas (a variação doce foi introduzida centenas de anos depois), romãs, marmelos e, naturalmente, uvas. Mais ao norte, maçãs, pêras, ameixas e morangos eram mais comuns. Figos e tâmaras eram consumidos em toda a Europa, mas eram importações um tanto caras no norte.
Ingredientes comuns e freqüentemente básicos em muitas cozinhas européias modernas, como batatas, feijão-roxo, cacau, baunilha, tomates, pimentas e milho não eram utilizados pelos europeus até o fim do século XV, com o contato destes com os americanos, e mesmo depois disso freqüentemente levava muito tempo para que os novos alimentos fossem aceitos por toda a sociedade.

FEIRA MEDIEVAL: DOÇARIA

Doces e sobremesas
Na língua inglesa, o termo dessert (sobremesa) vem do francês antigo desservir, que significa limpar a mesa, originado durante a Idade Média (na língua portuguesa, sobremesa vem de sobre+mesa, no sentido de além de, depois da mesa).
Consistia tipicamente em amêndoas açucaradas e vinho aquecido e adicionado de açúcar e condimentos acompanhados por queijo velho, e, por volta da Baixa Idade Média, poderia também incluir frutas frescas cobertas com açúcar, mel ou melado e pastas condensadas de frutas.
 Havia uma grande variedade de bolinhos fritos, crêpe com açúcar, manjares, leite de amêndoa e ovos numa fôrma para doces, que poderia também incluir frutas e algumas vezes até mesmo tutano ou peixe.As regiões de língua alemã tinham um gosto particular por Krapfen: massas fritas com recheios de vários sabores (equivalente ao sonho atual).
 Muitas formas do marzipã, um doce feito com amêndoas e açúcar, eram bem conhecidas na Itália e no sul da França por volta dos anos 1340; assume-se que é de origem árabe.
Os livros de receitas culinárias anglo-normandos eram cheios de receitas de doces e de manjares saborosos, molhos grossos e tortas doces com morangos, cerejas, maçãs e ameixas.
 Os chefs ingleses também tinham uma inclinação para o uso de pétalas das flores de roseiras e de sabugueiros. Uma forma antiga de quiche pode ser encontrada em a Fôrma de Cury, uma coleção de receitas do século XIV, como Torte de Bry, com recheio de gema de ovo e queijo.
Na França setentrional, um grande sortimento de wafels era comido com queijo e hypocras (vinho aromatizado com condimentos fragrantes, podendo ser aquecido) ou vinho de malvasia (variedade de vinho madeira) como issue de table (saída da mesa).
Fogaça da Feira
O sempre presente gengibre doce, coentro, anis e outros temperos eram referidos como épices de chambre ("temperos da sala") e eram tidos como digestivos no fim das refeições para "fechar" o estômago.
Como sua contraparte muçulmana na Espanha, os conquistadores árabes da Sicília introduziram uma grande variedade de novos doces e sobremesas, que eventualmente se expandiram para o resto da Europa.
Assim como Montpellier, a Sicília já foi famosa por seus confeitos, torrones e doces com amêndoas (confetti).
Do sul, os árabes também trouxeram a arte da fabricação do sorvete, produzindo sorvetes de frutas e vários exemplos de bolos e massas doces; cassata alla Siciliana (do árabe qas'ah, o termo para a tigela de terracota na qual era formado), feito do marzipã (doce feito com amêndoas e açúcar), pão-de-ló e ricotta adoçada e cannoli alla Siciliana, originalmente cappelli di turchi (chapéus turcos), tubos de massas fritas e resfriadas com recheio de queijo doce.

FEIRA MEDIEVAL: ESPECIARIAS

Ervas e especiarias

Colheita de pimenta.
Illustração da edição francesa de 
As Viagens de Marco Polo.
As especiarias estavam entre os produtos mais luxuosos disponíveis na Idade Média, sendo as mais comuns a pimenta-preta, a canela (e sua alternativa mais barata, a cássia), o cominho, a noz-moscada, o gengibre e o cravo. Todas eram importadas de plantações na Ásia e na África, o que as tornava extremamente caras. Foi estimado que por volta de 1000 toneladas de pimenta e 1000 toneladas de outras especiarias eram importadas para a Europa ocidental por ano durante a Baixa Idade Média. O valor dessas mercadorias era o equivalente ao suprimento de grãos anual para 1,5 milhão de pessoas.Enquanto a pimenta era a especiaria mais comum, a mais restrita era o açafrão, usado tanto por sua cor amarela avermelhada quanto por seu sabor. Entre as especiarias que caíram em certa obscuridade estão a pimenta guiné, da mesma família do cardamomo e que quase substituiu inteiramente a pimenta na cozinha do norte da França do fim do período medieval, a pimenta longa, a flor da noz-moscada, o espicanardo, o galangal e a cubeba. O açúcar, diferentemente de hoje, era considerado um tipo de especiaria devido ao seu alto custo e às suas qualidades humorais.
Ervas comuns como a salvia, a mostarda e especialmente a salsa eram cultivadas e usadas na culinária de toda a Europa, assim como a alcaravia, a menta, o endro e o funcho. A anis poderia ser usada para dar sabor aos pratos com peixe ou frango, e suas sementes eram servidas como confeitos cobertos de açúcar. As ervas cultivadas localmente eram mais acessíveis e eram também usadas na comida das classes mais altas, mas usualmente menos notórias ou inclusas meramente como colorífico. Uma concepção errônea atual é a de que os cozinheiros medievais usavam quantidades abundantes de especiarias, particularmente de pimenta preta, apenas para disfarçar o gosto de carne estragada. Porém, um banquete medieval era por demais um evento culinário e uma mostra dos grandes recursos e da generosidade do anfitrião, e como a maioria dos nobres tinha uma grande seleção de carnes frescas ou em conserva, e peixes e frutos do mar para escolher, o uso prejudicial de caras especiarias em carnes baratas e estragadas faria pouco sentido.

FEIRA MEDIEVAL: BEBIDAS

Bebidas

Um monge provando vinho.
Na Idade Média, a preocupação com a pureza da água, as recomendações médicas e seu valor de menos prestígio a faziam menos favorecida, sendo preferidas as bebidas alcoólicas. Estas eram vistas como sendo mais nutritivas e benéficas à digestão que a água, com a inestimável vantagem de serem menos propensas à putrefação por conter álcool. O vinho era consumido diariamente na maior parte da França e no oeste do Mediterrâneo onde houvesse cultivo de uva. Mais ao norte, permanecia a bebida preferida da burguesia e da nobreza que pudesse adquiri-lo, sendo muito menos comum entre camponeses e trabalhadores. A bebida do povo comum na parte norte do continente era principalmente cerveja. Por causa da dificuldade de preservação dessa bebida (especialmente antes da introdução do lúpulo), era em sua maior parte consumida fresca; era portanto mais turva e talvez com menor teor de álcool do que a equivalente moderna típica. O leite puro não era consumido pelos adultos, a não ser os pobres ou doentes, sendo reservado para as crianças pequenas ou para os idosos; geralmente era usado na forma de leitelho ou soro de leite. O leite fresco era em toda parte menos comum que outros laticínios por causa da falta de tecnologia para evitar que se estragasse.
Os sucos de muitos tipos de frutos eram conhecidos, assim como os vinhos, pelo menos desde a Roma Antiga e eram ainda consumidos na Idade Média: vinhos de romã, amora, amoras-silvestres, pêra, e sidra, que eram especialmente populares no norte onde tanto maçãs quanto pêras eram abundantes. As bebidas medievais que sobreviveram até hoje incluem prunellé, de ameixas silvestres (hoje conhecida como “slivovitz”), gim de amora e vinho de amora-silvestre. Muitas variações de hidromel foram vistas em receitas medievais, com ou sem conteúdo alcoólico. Contudo, as bebidas baseadas no mel se tornaram menos comuns como bebida de mesa no fim do período e conseqüentemente rarearam. O kumis, leite de égua ou de camela fermentado, era conhecido na Europa, mas, como o hidromel, era algo em sua maior parte prescrito por médicos. O hidromel tem sido freqüentemente apresentado como bebida comum para os eslavos. Isso é parcialmente verdadeiro, já que o hidromel tinha grande valor simbólico em ocasiões importantes. Quando eram feitos acordos ou outros assuntos de estado, o hidromel era freqüentemente dado como presente cerimonial. Era também comum em festas de casamentos e batismos, embora em quantidade limitada devido a seu preço alto. Na Polônia medieval, o hidromel tinha um status equivalente ao dos luxos importados, como especiarias e vinhos.

FEIRA MEDIEVAL: SALTIMBANCOS


Saltimbancos
Espectáculo de saltimbancos medievais, onde equilibristas, pelotiqueiros, malabaristas, habilidosos de toda a ordem e bufões apresentam-se trampolinando sobre o chão. Numa desordem ordenada mostram belos malabarismos e trocadilhos de objectos e palavras num espectáculo subtil cujo nome é “ Per Jocum” que significa “ 
Por Brincadeira”. Por vezes de carácter interactivo com o público, promete variadas revelações cómicas e peripécias ousadas.

FEIRA MEDIEVAL: DAMAS E NOBRES

As damas usavam camisas de linho e brial (túnica),
e vestidos compridos que apertavam atrás;
tinham mangas de pôr e tirar,
 que permitiam modificar a peça de vestuário
sempre que se quisesse.