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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

BIOGRAFIA: D. JOÃO I E NUNO ALVÁRES PEREIRA

D. João I
D. JOÃO, MESTRE DE AVIS

Filho bastardo de D. Pedro I e de uma dama galega. O mestrado da Ordem de Avis foi-lhe destinado desde a sua infância e é nesse sentido que decorre a sua educação, a cargo do comendador-mor da Ordem.
Em 1383, já na situação de um dos mais ricos senhores de Portugal, jura, com muitas outras figuras importantes do reino, cumprir cláusulas do contrato de matrimónio da infanta D. Beatriz com D. João I de Castela. 

Nesse mesmo ano, é um dos escolhidos para acompanhar a infanta a Badajoz, onde foi entregue ao marido. 
O facto de ter sangue real e de ser olhado como chefe provável do partido adverso à parceria Leonor Teles-conde de Andeiro, deve ter contribuído para a sua prisão ordenada por D. Fernando. 
Mais tarde é libertado por ordem do rei e a esse facto não deve ter sido estranha a intervenção pessoal do conde de Cambridge, chefe do contingente inglês em Portugal.
Depois da morte do rei, entra-se no período da guerra civil e da guerra com Castela e D. João, aclamado regedor e defensor do reino, procura consolidar a sua posição no meio de hesitações e compromissos.

 E aclamado rei em 1385, vence a guerra com Castela e obtém tréguas em 1389. Volta-se então para os problemas internos do reino e impõe a sua autoridade à nova nobreza, que chefiada por D. Nuno Álvares Pereira, lhe desfalca os bens da coroa. 
Em 1396, novamente guerra com Castela até 1398.
Segue-se um longo período de paz interna e externa, só cortado pela aventura de Ceuta. Fora dos actos da administração pública, quase nada sabemos da vida do monarca. 

Casou em 1387 com D. Filipa, filha do duque de Lencastre e ano e meio depois nasce D. Branca, que não chegou a viver um ano; segue-se o herdeiro do trono Afonso, que morre por volta dos dez anos; vêm a seguir em rápida sucessão os infantes da «ínclita geração».
Morreu em 1433. Pessoalmente, foi-nos legado o retrato de um homem prudente, astuto, cioso do poder e da autoridade, ao mesmo tempo, terno, humano e benevolente.

Foi sem dúvida o mais culto dos nossos monarcas medievais, reflexo da educação que o preparara para dirigir superiormente uma importante ordem religioso-militar.
Ficha genealógica:
D. João I, nasceu provavelmente em Lisboa, a 14 de Agosto de 1357, tendo morrido na mesma cidade, em igual dia de 1433). Casou no Porto, a 2 de Fevereiro de 1387, com D. Filipa de Lencastre (n. em Inglaterra, 1359; f. em Odivelas, a 19 de Julho de 1415), filha de João de Gant, duque de Lencastre, e de sua primeira mulher, D. Branca. Tiveram os seguintes filhos:
1. D. Branca (n. em Santarém, a 30 de Julho de 1388; f. em Março de 1389; enterrada na capela-mor da sé de Lisboa);
2. D. Afonso (n. em Santarém, a 30 de Julho de 1390; f. a 22 de Dezembro de 1400; sepultado na sé de Braga);
3. D. Duarte, que herdou a coroa;
4. D. Pedro (n. em Lisboa, a 9 de Dezembro de 1392; f. na Batalha de Alfarrobeira, a 20 de Maio de 1449; sepultado no Mosteiro da Batalha). Casou a 13 de Setembro de 1429 com D. Isabel de Urgel (n. por 1410; f. em data posterior a 1470; sepultada no Mosteiro da Batalha), filha de D. Jaime II, conde de Urgel, e de D. Isabel, infanta de Aragão. Foi regente do Reino de 1438 a 1446;
5. D. Henrique (n. no Porto, a 4 de Dezembro de 1394; f. na vila do Infante, em Sagres, a 13 de Novembro de 1460; sepultado no Mosteiro da Batalha);
6. D. Isabel (n. em Évora, a 11 de Fevereiro de 1397; casou com Filipe, o Bom, duque da Borgonha, a 7 de Janeiro de 1430, em Écluse; f. em Dijon, a 11 de Dezembro de 1471; sepultada no Convento da Cartuxa da mesma cidade);
7. D. João (n. em Santarém, a 13 de Janeiro de 1400; f. em Alcácer do Sal, a 18 de Outubro de 1442; sepultado no Mosteiro da Batalha). Casou em 1424 com sua sobrinha D. Isabel (n. em 1404; f. em Arévalo, a 26 de Outubro de 1465; transladada para o Mosteiro da Batalha), filha de D. Afonso, 8 ° conde de Barcelos, e de sua primeira mulher, D. Beatriz Pereira de Alvim;
8. D. Fernando (n. em Santarém, 1402; f. no cativeiro em Fez, a 5 de Junho de 1443; transladado em 1471 para o Mosteiro da Batalha).
Da união, anterior ao seu casamento, com uma Inês Pires, o monarca teve os seguintes bastardos:
9. D. Afonso (n. talvez em Veiros, por 1380; f, na vila de Chaves, em Dezembro de 1461). Foi o 8 ° conde de Barcelos e 1 ° duque de Bragança. Casou em primeiras núpcias, a 8 de Novembro de 1401, com D. Beatriz Pereira de Alvim (n. em 1378; f. em Chaves por 1412), filha do condestável Nuno Álvares Pereira e de D. Leonor de Alvim; e em segundas núpcias, no ano de 1420, com D. Constança de Noronha (n. em data incerta; f. em Guimarães, a 26 de Janeiro de 1480), filha de D. Afonso, conde de Gijon e de D. Isabel, filha ilegítima de D. Fernando I de Castela;
10. D. Beatriz (n. talvez em Veiros, por 1382; f. de peste em Bordéus, a 25 de Outubro de 1439). Casou, no ano de 1405, com Tomás Fitzalan, 7 ° conde de Arundel, pelo que seguiu para Inglaterra; e, tendo enviuvado, a 13 de Outubro de 1415, tornou-se esposa de Gilberto Talbot, barão de Irchenfield, f. pouco depois. Pretende-se que em 1432 a infanta voltou a casar com John Holland, filho do duque de Exeter.
Fontes:
Joel Serrão (dir.)
Pequeno Dicionário de História de Portugal,
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão
História de Portugal, Volume II: Formação do Estado Moderno (1415-1495),
2.ª ed., Lisboa, Verbo, 1978

Nuno Álvares Pereira é um dos cavaleiros portugueses mais conhecidos da nossa história, não só pela sua bravura, mas por toda a história da sua vida.
Filho de uma família fidalga, Nuno Álvares Pereira nasceu a 24 de Julho de 1360 e tinha pouco mais de 20 anos quando se deram as suas grandes aventuras contra os exércitos castelhanos.
Com apenas 13 anos entrou para a corte do rei D. Fernando, sendo então escolhido para ser escudeiro da rainha D. Leonor Teles ao mesmo tempo que aprendia tudo sobre a guerra e as armas com um tio. 

Pouco tempos depois foi logo armado cavaleiro.
Sabias que se casou com apenas 16 anos? Pois é, nesse tempo era mesmo assim! 

Casou-se por conveniência dos pais em 1376, com D. Leonor de Alvim. 
Também esta situação era muito comum na época.
Durante a crise de 1383, provocada pela morte de D. Fernando, colocou-se ao lado do Mestre de Avis, que parecia mais preocupado em defender os interesses de Portugal do que D. Leonor Teles, a regente do reino.
D. João, Mestre de Avis, chamou-o para o conselho do governo e mais tarde, durante as cortes de Coimbra, nomeou-o Condestável do Reino, um cargo criado pelo rei D. Fernando.
Entre 1383 e 1385 liderou o exército português a várias vitórias, sendo as mais conhecidas as da Batalha de Aljubarrota e da Batalha dos Atoleiros, onde usou a técnica do quadrado.
Esta técnica baseou-se numa estratégia militar usada por Alexandre Magno em exércitos maiores, e que Nuno Álvares Pereira tinha descoberto há pouco tempo num livro. 

Decidiu adaptá-la e resultou!
Em 1388 iniciou a edificação da capela de São Jorge de Aljubarrota e, em 1389, a do convento do Carmo, em Lisboa, onde se instalaram os frades da ordem do Carmo, no ano de 1397.
Tornou-se rico e poderoso, mas soube dividir com os seus companheiros de armas grande parte das terras que lhe foram doadas. 

No fim da vida, teve o cuidado de repartir também pelos netos os seus domínios e títulos.
Sabias que a sua vida de soldado não acabou com a crise de 1383/85?

Ainda participou na conquista de Ceuta, em 1415, onde mostrou novamente o seu grande valor.
Nunca perdeu uma batalha que fosse liderada por si. 

Conta-se que a sua espada, que tinha o nome de Maria gravado, lhe dava a devida protecção.
Nuno Álvares Pereira acabou a sua vida ligado à Igreja.

Depois de se tornar viúvo entrou para o Mosteiro do Carmo em 1423, por ele fundado, mudando o nome para frade Nuno de Santa Maria. 
Por ter dedicado os seus últimos dias à Igreja e a ajudar os mais pobres, depois da sua morte, em 1431, o povo começou a chamá-lo de Santo Condestável
.Este título nunca foi verdadeiro, mas ficou perto com a sua beatificação em 1918.
Uma das filhas de Nuno Álvares Pereira casou com D. Afonso, um dos filhos de D. João I, dando início à Casa de Bragança, uma família que reinou em Portugal e da qual é descendente D. Duarte de Bragança.

CONTEXTUALIZAÇÃO

Representação de uma praça medieval
(séculos XII-XIII)
Esquema conceptualO desenvolvimento económico que se verificou na Europa nos séculos XII e XIII foi interrompido no século XIV. Fomes, pestes e guerras assolaram o Ocidente dando origem a uma profunda crise na economia, na sociedade, na política e nas mentalidades.
Alguns monarcas, como os reis portugueses D. Afonso IV e D. Fernando, tomaram medidas para tentarem solucionar a crise, mas não conseguiram. 
A situação agravou-se dando origem a revoltas nos campos e nas cidades.
Em Portugal, a estas calamidades juntou-se ainda uma crise política que pôs em risco a independência nacional- a crise e a Revolução de 1383-85

GUERRA DOS CEM ANOS

Guerra dos Cem Anos
Conflito que, entre 1337 e 1453, entrecortado por períodos de paz, opôs Inglaterra e França.

Guerra dos Cem Anos

São vários os antecedentes deste conflito e este não se deve entender apenas como conflito militar, a ele se juntam numerosos conflitos e perturbações sociais e económicas. 
A Inglaterra pretendia expandir-se militar e economicamente e, logicamente, visava o continente. 
O monarca inglês era vassalo do rei da França pelo ducado da Guiena e pelo condado de Ponthieu; as obrigações de vassalagem eram prestadas a custo e por outro lado os franceses pretendiam reaver estes territórios.
As influências francesa e inglesa na Flandres eram também opostas, pois os condes deste território eram vassalos da França e, por outro lado, a burguesia estava ligada economicamente a Inglaterra.
O conflito foi desencadeado após a sucessão de Carlos IV de França. 
Os barões franceses, alegando a lei sálica que impedia a sucessão ao trono por via feminina, escolheram como rei Filipe de Valois (Filipe VI), sobrinho de Filipe o Belo por linha masculina, preterindo Eduardo III de Inglaterra, sobrinho de Carlos VI por sua mãe. Eduardo III reconhece Filipe VI em Amiens em 1329; no entanto, após a intervenção de Filipe VI na Flandres apoiando o conde contra os amotinados flamengos, Eduardo II suspende as exportações de lãs.
 A burguesia flamenga forma um partido a favor do rei de Inglaterra incitando-o a proclamar-se rei de França. 
Assim Eduardo III repudia o juramento de Amiens e em 1337 dá início ao conflito.
A guerra evoluiu por quatro períodos: o 1.º entre 1337 e 1364, o 2.º entre 1364 e 1380, o 3.º entre 1380 e 1422 e o 4.º entre 1422 e 1453.

 Durante o primeiro período, os ingleses obtiveram várias vitórias, aniquilaram a frota francesa em Écluse (1340), tomaram Calais (1347) e em Poitiers (1356) chegaram a aprisionar o rei francês João o Bom.

Guerra dos Cem Anos

 Em 1360 foi assinado o tratado de Brétigny; por este tratado a Inglaterra passou a exercer soberania sobre uma vasta parte do território francês. 
Entre 1356 e 1360 rebentou uma revolta em Paris e em 1358 os camponeses assolam várias províncias (Jacquerie). Já dentro do segundo período, Carlos V reconquista aos ingleses todos territórios com excepção de Calais. 
A luta estendeu-se a Castela com a França a apoiar o candidato à coroa, D. Henrique, contra D. Pedro aliado de Inglaterra.
 No terceiro período, após a loucura do rei Carlos VI, os candidatos à regência do trono francês dividem-se em dois partidos (Borguinhões e Armagnacs). 
Os ingleses, mais uma vez, liquidam a cavalaria francesa em Azincourt (1415), aliam-se com os Borguinhões e entram em Paris. 
Em 1420 é assinado o tratado de Troyes pelo qual a princesa Catarina (filha de Carlos VI) casa com Henrique V de Inglaterra que é coroado rei de França. 

Guerra dos Cem Anos

Só no quarto período surge entre os franceses um verdadeiro sentimento nacional.
Joana d'Arc vence os ingleses em Orleães, Patay e outros lugares e o rei Carlos VII é sagrado em Reims.
O fim da guerra é marcado pela batalha de Castillon em 1453; apenas Calais permanece em poder dos ingleses. 
Nenhum tratado foi assinado de forma a assinalar o fim das hostilidades; a Inglaterra entra num período de guerra civil (Guerra das Duas Rosas) ao passo que em França a monarquia sai reforçada pelo sentimento nacionalista e caminha progressivamente para o absolutismo monárquico.
Poderá, enfim, dizer-se que a Guerra dos Cem Anos marca o final da Idade Média e anuncia a Época Moderna.

Como referenciar este artigo:

Guerra dos Cem Anos. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-23].

CISMA DO OCIDENTE

Cisma do Ocidente
Cronologia

O grande Cisma do Ocidente ocorreu entre 1378 e 1417. 

Já anteriormente tinham ocorrido divisões na Igreja Católica mas nenhuma delas com esta importância.
De 1308 a 1378 os papas deixaram Roma para se fixarem em Avinhão (Sul de França), inaugurando um período designado por "Cativeiro de Avinhão".

 Nesta altura, a autoridade e o prestígio dos papas tinha decaído na Europa e, ao contrário dos séculos anteriores, não tinham autoridade para intervir nos assuntos da política internacional e, a nível interno de cada um dos reinos, essa ingerência era cada vez mais limitada.
Após a morte de Gregório XI, o conclave formado por 16 cardeais foi pressionado pelo povo que exigia um papa romano ou italiano. 

Foi eleito o arcebispo de Bari que tomou o nome de Urbano VI. Apesar dos tumultos aquando da eleição, nada fazia prever o cisma.
 A 9 de Agosto de 1378 os cardeais assinaram um documento declarando a eleição nula e a 20 de Setembro elegeram o cardeal de Genebra que tomou o nome de Clemente VII. Ambos os papas se declararam legítimos e excomungaram-se mutuamente. Consumou-se assim o cisma - Urbano VI ficou em Roma e Clemente VII instalou-se em Avinhão. 
A Urbano VI sucederam Bonifácio IX (1389-1404), Inocêncio VII (1404-1406) e Gregório XII (1406-1415). A Clemente VII sucedeu Bento XIII (1406-1423). 
O mundo católico dividiu-se entre apoiantes de Urbano VI e apoiantes de Clemente VII, de acordo com as alianças políticas ditadas pela Guerra dos Cem Anos. Clemente VII foi apoiado pelos reinos da França, Nápoles e mais tarde por Castela, Aragão, Lorena e Escócia. O imperador da Alemanha, o rei da Inglaterra e o conde da Flandres apoiaram Urbano VI.
O grande Cisma do Ocidente 

Foram tentados vários processos para terminar com o cisma que ninguém queria.

 Um dos processos foi o Concílio de Pisa. Este concílio depôs ambos os papas e elegeu Alexandre V (1409-1410) a quem sucedeu João XXIII (1410-1415). 
A deposição não foi, no entanto, aceite e a partir desta altura coexistiram três papas. Em 1415, pelo Concílio de Constança, foi finalmente restabelecida a unidade religiosa. João XXIII foi deposto e aceitou humildemente a decisão, Gregório XII abdicou voluntariamente e Bento XIII foi excomungado. 
Em 1417 foi eleito Martinho V que toda a Igreja reconheceu como sendo o papa legítimo. 
O sucessor de Bento XIII, Clemente VIII, renunciou e terminou assim definitivamente com o cisma.
Portugal apoiou o papa que mais convinha às suas alianças políticas.

 Manteve uma posição neutral até 1380, e em Janeiro deste ano D. Fernando anunciou, em Évora, a sua adesão a Avinhão. 
A renovação da aliança portuguesa com Inglaterra levou a que em 1381 D. Fernando declarasse que reconhecia Urbano VI como sendo o papa legítimo. Após a morte de D. Fernando e com a crise de nacionalidade que se lhe seguiu, Portugal manteve-se fiel a Urbano VI, acusando os castelhanos de serem hereges e cismáticos por apoiarem Avinhão. A fidelidade portuguesa a Roma manteve-se até ao Concílio de Pisa, altura em que D. João I, acompanhando a posição da maioria dos países católicos, reconheceu o papa saído deste concílio.

Como referenciar este artigo:
Cisma do Ocidente. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-23].

PESTE NEGRA

Peste Negra na Europa Ocidental
Agente funerário na época da peste
Grande epidemia que devastou a Europa Ocidental entre 1347 e 1351. Provavelmente seria a
junção da peste bubónica com a pneumonia. Julga-se que teve origem na China e na Ásia Interior e que foi transmitida aos europeus em 1347 quando um exército, vindo da Crimeia, fez escala em vários portos mediterr
ânicos. A doença propagou-se pela Sicília, em 1347; pela África do Norte, pela Espanha, por Portugal, pela Inglaterra e pela França, em 1348; pela Áustria, pela Hungria, pela Suíça, pela Alemanha e pelos Países Baixos, em 1349; pela Escandinávia e pelos países do Báltico, em 1350.
Como referenciar este artigo:
Peste Negra na Europa Ocidental. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-23].





A Peste Negra vista por Boccaccio

Tinha-se já chegado ao ano de 1348 quando a cidade de Florença foi pasto da epidemia mortal. Quer a peste fosse obra das influências astrais quer ela fosse o resultado das nossas iniquidades [crimes] e Deus, na sua justa ira, a tivesse feito cair sobre os homens para punição dos nossos crimes, o facto é que ela se havia declarado, anos antes, nos países do Oriente, onde causara a perda de uma grande quantidade de vidas humanas. Depois, sem parar, propagou-se aos poucos, para nossa infelicidade, na direcção do Ocidente. Todas as medidas de profilaxia se revelaram ineficazes. Os agentes especialmente designados bem limparam os montões de lixo da cidade, bem se proibiu a entrada de todo e qualquer doente. Bem se recorreu, e mil vezes, não apenas uma, às súplicas e orações que são de uso nas procissões. Nada resultou.
Boccaccio, 1348
.

Os sintomas da Peste Negra

No início da epidemia, e quer no caso dos homens quer no das mulheres, apareciam certos inchaços na virilha ou na axila; uns punham-se grossos como maçãs vulgares, outros como um ovo, outros em pouco mais ou menos. Dava-se-lhes, vulgarmente, o nome de bubões. Em seguida, partindo desses dois sitios onde tinham aparecido, os bubões não tardaram, para semear a morte, a crescer indiferentemente em qualquer parte do corpo. Depois disso o sintoma do mal transformou-se numas manchas negras, ou lívidas, que em muitas pessoas apareciam nos braços, nas coxas e em todos os outros pontos do corpo, ora grandes e separadas, ora muito juntas e miúdas. Assim como o bubão fora de início, e era ainda, indicador de morte certa, o mesmo acontecia aos que tinham essas manchas. Quanto ao tratamento da doença, não havia receita médica nem remédio eficaz que pudessem trazer a cura ou qualquer alívio.
Boccaccio, 1348.

A CRISE DO SÉCULO XIV

Crise do século XIV
A guerra dos cem anos

Causas:
- O aumento da população foi maior do que o aumento da capacidade de produção, logo, havia menos alimentos.
- Uma sucessão de maus anos agrícolas entre os finais do século XIII e os inícios do XIV deu origem a fomes por toda a Europa.
- A propagação de pestes (facilitada pelas más condições de higiene e porque os corpos
estavam debilitados pela fome); a mais grave a Peste Negra,que matou cerca de um terço da população europeia.
-A ocorrência de diversas guerras que provocaram muitas mortes e empobreciam os Estados: a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre a Inglaterra e a França, as Guerras Fernandinas e a Guerra da Independência, entre Portugal e Espanha, são alguns dos muitos conflitos que afectaram a Europa.
No século XIV houve uma forte quebra demográfica devido a um aumento da taxa de mortalidade.
A economia foi então afectada pela falta de mão-de-obra e a carência de cereais.
Isto provocou uma rápida subida de preços. 

Esta inflação fez com que a moeda perdesse valor, havendo assim uma desvalorização monetária.
A quebra demográfica e a crise económica provocam tensões e agitação social nas cidades e nos campos.
Baixaram os salários dos camponeses e aumentaram os impostos e tributos.
Muitos camponeses abandonaram os campos e fugiram para as cidades.
As revoltas rurais eram movimentos de camponeses que atacavam as casas senhoriais e perseguiam os nobres. Estas eram reprimidas, com grande violência, pelos senhores feudais.
As revoltas urbanas eram organizadas por aprendizes e artífices contra as famílias de ricos
mercadores que dominavam o comércio e governavam as cidades.
No século XIV deu-se uma crise religiosa. 

Entre 1378 e 1417, a Igreja Católica esteve dividida pelo Grande Cisma do Ocidente. 
A cristandade passou a ter dois papas, um em Roma e outro em Avinhão (França). Desenvolveram-se nesta época muitas heresias.
A conjugação das muitas calamidades que se viveram no século XIV conduziu a uma situação de insegurança: o medo; a descrença na vida e a ideia da morte marcavam o quotidiano.
Vivia-se numa atmosfera de medos e de ódios que deu origem a uma crise colectiva de mentalidades.

A REVOLUÇÃO 1383-85

A Revolução de 1383-85
Condestável Nuno Álvares Pereira
Causas:
- Crise económica: medidas para solucionar: Leis dos Trabalho de D.Afonso IV e Leis das Sesmarias de D. Fernando.
-Crise social: revoltas populares
-Crise política: morte de D. Fernando com uma única filha, D. Beatriz, que era casada com D. João I de Castela pelo acordo do "Tratado de Salvaterra de Magos", segundo o qual, caso D. Fernando não tivesse um filho varão, quem lhe sucederia no trono seria D. Beatriz.
D. Fernando morreu em 1383, a sua esposa, D. Leonor Teles, sucedeu-lhe como regente e mandou aclamar D. Beatriz como rainha.
Contudo, a população portuguesa não aceitou esta aclamação sentindo que a independência do Reino estava ameaçada.
Foi então organizada uma conspiração, chefiada por alguns nobres e burgueses, para derrubar o poder de D. Leonor Teles. Esta conspiração foi chefiada por D. João, Mestre de Avis.
D. Leonor fugiu para Castela. O Mestre foi aclamado "Regedor e Defensor do Reino". Iniciou-se um longo período de guerra entre Portugal e Castela.
O exército português comandado pelo condestável Nuno Álvares Pereira, obteve uma
vitória nos Atoleiros e a cidade de Lisboa estava cercada pelo rei castelhano do qual levantou o cerco.O Mestre de Avis foi aclamado rei, nas Cortes de Coimbra de 1385, com o título de D. João I, iniciando a dinastia de Avis.
O rei de Castela volta a invadir Portugal sendo derrotado na batalha de Aljubarrota e apaz só foi assinada em 1411.

TRABALHO ESCRITO: CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV

Capa
Na capa deve constar:
- o nome da escola-  Escola Básica e Secundária de Alfândega da Fé
- o título do trabalho,;"CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV"
- o nome do autor ou autores-..............
- local e data- Alfândega da Fé- 07 de junho
Página de Rosto
Nesta página deve indicar-se:
- o nome da escola;Escola Básica e Secundária de Alfândega da Fé
- a disciplina a que se destina o trabalho e o nome do professor; HISTÓRIA- Professor João Nunes
- o título do trabalho;"CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV"
- o nome do(s) autor(es) e os respectivos números e turma;............
- local e ano lectivo.Alfândega da Fé- 2012-2013
- Corresponde-lhe a página n.º 1.
Índice
Este refere as partes que formam o trabalho, as quais devem estar numeradas.
Deve indicar-se a página correspondente a cada uma de acordo com a paginação geral do trabalho, que é iniciada na página de rosto e que corresponde à página 1.

No índice deve ser apresentado o nome dos diferentes capítulos que constituem o trabalho. A cada um deles corresponderá uma numeração.
A numeração será romana (I, II, III, …) para designar um capítulo. O título do capítulo deve apresentar-se totalmente em maiúsculas.
A numeração será árabe (1, 2, 3, …) para designar os subcapítulos. O título do subcapítulo deve apresentar-se em minúsculas.
Cada um dos capítulos e dos subcapítulos deve conter, à frente, as páginas do trabalho onde os podemos encontrar.
Os títulos devem aparecer, ao longo do trabalho, com a mesma numeração e o mesmo tipo de letra com que foram apresentados no índice.
Introdução
Explica-se, em traços gerais, qual o objectivo fundamental do trabalho.
Apresenta os objectivos do trabalho.
Desenvolvimento: -"CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV"
Constitui a parte central do trabalho;
convém ser redigido e ilustrado com cuidado, tendo como base os conhecimentos e as informações recolhidas durante a pesquisa que se elaborou;
poder-se-á recorrer a citações, ou seja, transcrever frases de autores. Estas devem estar destacadas entre aspas e identificadas com o respectivo autor e obra da qual foi retirada;
o tema deverá ser abordado de forma ordenada, em pequenos capítulos e apresentados separadamente.

I- INTRODUÇÃO
II- CRONOLOGIA
III- ESPAÇO (MAPA HISTÓRICO)
IV- CRISE DO SÉCULO XIV NA EUROPA
V- FOME
VI- EPIDEMIAS - PESTE NEGRA
VII- REVOLTAS POPULARES- RURAIS E URBANAS.
VIII- GUERRA DOS CEM ANOS
IX- CISMA DO OCIDENTE
X- CRISE E REVOLUÇÃO 1383-85 EM PORTUGAL

(1 página para o título +1 página para texto informativo + 1página para documentos de vária índole)

Conclusão
Esta serve para fazer um resumo breve do assunto desenvolvido, na qual deve constar a opinião do autor.


Bibliografia
No final do trabalho tens de apresentar todas as fontes que consultaste.

A bibliografia deve apresentar todos os documentos consultados para a realização do trabalho.
A referência bibliográfica de livros deve obedecer às seguintes normas:
1. Nome do autor (apelido em maiúsculas, vírgula, o nome próprio, vírgula);
1.1. Quando o livro tiver mais do que um autor, os seguintes devem ser referidos com o nome próprio, seguido de vírgula, e o apelido em maiúsculas.
Exemplo:
MAGALHÃES, Ana Maria e Isabel ALÇADA, Uma Aventura Musical, Lisboa,
Caminho, 1995, 2ª ed.
1.2. No caso de ser uma publicação sem autor definido, o título surgirá no início em maiúsculas.
Exemplo:
SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO, Lisboa, INCM, 1983, 1ª ed.
1.3. No caso de surgir uma colectânea com mais de cinco autores, utiliza-se a sigla AAVV, que significa Autores Vários, para substituir o nome dos autores.
2. Título e subtítulo do livro (sublinhado ou em itálico, seguido de vírgula);
3. Local de publicação (se o livro não tiver esta referência, deve escrever-se s. l. -sem local-, seguido de vírgula;
4. Editora (seguido de vírgula);
5. Data da edição (se o livro não tiver esta referência, deve escrever-se s. d. -sem data-, seguido de vírgula);
6. Número da edição.
A referência bibliográfica de jornais ou revistas deve obedecer às seguintes normas:
1. Nome do autor (apelido em maiúsculas, vírgula, o nome próprio, vírgula). Quando o artigo do jornal ou da revista tiver mais do que um autor, os seguintes devem ser referidos com o nome próprio, seguido de vírgula, e o apelido em maiúsculas.
2. Título do artigo do jornal ou da revista (entre aspas, seguido de vírgula);
3. Título do jornal ou da revista (sublinhado ou em itálico, seguido de vírgula);
4. Número da edição (seguido de vírgula);
5. Data da publicação (seguido de vírgula);
6. Local da publicação (seguido de vírgula);
7. Página(s).
Exemplo:
CARVALHO, João Vaz de, «Valetes e Damas jogam pelo seguro», Os TOP+ da
Saúde, nº 1280, Novembro de 1995, Lisboa, p. 5
A referência dos sítios eletrónicos deve conter sempre a data em que a pesquisa foi efetuada.
Exemplo:
http://www.centenariorepublica.pt (06.10.2009)
LIVROS: Autor, por apelido. Data. Título. Lugar de Edição: Editora. 
SITES: Listagem de sites, data da consulta, entre ( ).
GUIÃO
APRESENTAÇÃO DO TRABALHO ESCRITO
MANDAR POR MAIL (professorjoaonunes@gmail.com) ou Moodle da Escola.
Consultar o blogue do professor: http://historia7alfandega.blogspot.com/
Manual do aluno
Data de Entrega do Trabalho Escrito:08 dias antes do encerramento do ano (07 de junho).
Atenção à correção linguística.
Modo de apresentação de trabalho em folhas A4
Tipo de Letra: Arial 12, NORMAL. Podem colocar-se negritos quando se pretender destacar algum assunto.
Espaçamento entre linhas: 1,5.
Texto Justificado
SITE: TRABALHO ESCRITO