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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ESCOLA DOS ANNALES

Escola dos Annales
OS ANNALES: A RENOVAÇÃO TEÓRICO-METOLÓGICA E “UTÓPICA” DA HISTÓRIA PELA RECONSTRUÇÃO DO TEMPO HISTÓRICO“A base do método histórico é a ‘representação do tempo histórico”. 
Os gregos criaram a história, contudo eles tinham a preocupação de ser antitemporal, estavam preocupados com o eterno e não com as mudanças transitórias. ~
A criação da história por Heródoto significou uma revolução cultural já que este se preocupava com as coisas vividas, com a temporalidade. 
A história era a "ciência nova" das acções do homem no tempo.O historiador se interessa pelas construções humanas, pelo passado e suas relações com o presente. Sendo assim o passado não está morto, pois o presente é tão somente fruto dele.
As experiências humanas e o modo como elas são vistas criam a representação do tempo histórico e esta organiza a percepção das experiências humanas.

 A representação do tempo histórico é subjetiva determinada pela temporalidade e pensamento de uma época.
Os Annales ao se aproximarem das ciências sociais modificaram a concepção de tempo histórico. 

As ciências sociais usam o conceito de “estrutura social”, buscando encontrar no mundo regularidades assim como na física, na matemática. Este conceito torna o evento irrelevante.
A história aceita esta influência, porém continua analisando as mudanças e inserindo os eventos em uma ordem sucessiva.

 A “longa duração” é a transcrição para a linguagem temporal dos historiadores da estrutura atemporal das ciências sociais.
Para os Annales o homem não só constrói a história, mas também é construído por ela.
Com a irrelevância dada aos eventos, a história aumentou seu leque de fontes históricas servindo-se de todos os meios para preencher as lacunas deixadas pelas fontes.
A história também passou a ser vista como a história-problema, o historiador dentro desta perspectiva olha o passado e o interroga construindo os argumentos necessários à comprovação de suas hipóteses. 

Reconhece-se também a impossibilidade de narrar os fatos como realmente se passaram.
A escola do Annales foi construída em um momento em que a ilusão daquilo que eterno se acabava, e os eventos que fizeram esta visão ruir foram extremamente violentos, daí a necessidade dos Annales de evita-los, de procurar a harmonia com transformações repetitivas que dão a idéia de eternidade.

ESCOLA DOS ANNALES: GEORGE DUBY

George Duby
Georges Duby
Foi um historiador francês,
 especialista na Idade Média

(out. 1919 - dez. 1996)
"O objeto da pesquisa histórica hoje é compreender as verdadeiras relações entre o que é material e o que pertence à categoria da carne e do espírito."
Um dos mais importantes historiadores franceses deste século morreu neste mês de dezembro, de câncer. Medievalista e um dos grandes pensadores da chamada Nova História, George Duby nos lega uma extensa obra sobre a sociedade feudal européia, repleta de humanismo e de paixão.Desde cedo, Duby orientou-se para os estudos da Idade Média e da sociedade feudal na Europa, sofrendo profundas influências de pensadores como Michelet e Marx e de outros dos quais foi contemporâneo ou pôde conviver. Era partidário do método micheletiano que fundia lucidez e paixão. Como muitos destes, a exemplo de Lucian Febvre, dedicou-se, no início, à Geografia, mas acabou concentrando-se no ofício da História, muito em conseqüência do trabalho realizado com seu mestre, Jean Demian. Primeiramente, seus estudos históricos se voltaram para o campo da economia e do comércio nas sociedades da Idade Média, no que sofreu influências de Henri Pirenne e Marc Bloch, de quem preferiu tornar-se ávido leitor.Sua cultura histórica passou também por Henri-Irénée Marrou que o ensinou o método da exposição clara, mas também o fez ler Spengler e Friedman. Mas sua cultura humanística foi ampliada também pelo que assistiu durante os tumultuados anos 30 e 40: a Frente Popular, a Guerra de Espanha, a Ocupação Nazista e o Exército Vermelho em sua caminhada durante a Segunda Grande Guerra. Algumas destas experiências o aproximaram do marxismo. Serviu-se da obra de Marx para estudar a economia medieval, o que considerou "uma projeção arbitrária (que) revelou-se extremamente eficaz". Diante dos seus diversos interlocutores e, em especial, dos estudantes de todo o mundo, dizia não ser materialista, mas reconhecia com gosto sua "imensa dívida para com o marxismo", "prodigioso instrumento de análise". Foi amigo de Althusser, de quem também sofreu influência no que concerne às formulações sobre as superestruturas e, em especial, as ideologias e valores, utilizadas nos seus inúmeros estudos sobre a mentalidade medieval. Homem de prodigiosa formação humanística, estudou também Gramsci, Labriola e Lénin. Por ser avesso às sistematizações rigorosas no campo da teoria, o que foi uma tradição dos historiadores dos Annales, pode-se até constatar que o seu ecletismo não é apenas cultural, mas epistemológico. Entretanto, é necessário afirmar, com a mesma força, que o seu ecletismo não era desatento, mas oriundo da vontade salutar de não cair nas amarras em que muitos da sua geração soçobraram, para depois renegá-las. Atento aos acontecimentos contemporâneos, ao escrever as suas anotações autobiográficas, colocou-se contra as teses do fim da história e, consciente de que estava da profundidade da crise contemporânea, afirmou: "estamos no meio da mutação e não sabemos ainda o que irá substituir aquilo que está se desfazendo". Disse ainda, no início de 1993, que "já há alguns anos, é a história contemporânea que parece formar o setor mais vivo" do desenvolvimento historiográfico. Na mesma entrevista, este grande arauto da chamada história das mentalidades desabafou: "não pensem que me coloco distante das coisas que se movem ao meu redor. Ao contrário, o bom historiador deve se achar atento a tudo, não simplesmente ao que agita as condições do seu próprio mètier, mas dos problemas do mundo". E interroga-se adiante: "a sociedade em direção à qual iremos, terá ela o mesmo interesse pela história ... Eu me pergunto ansiosamente, observando o quanto em pouco tempo o nosso ofício se degradou ... Estou persuadido de que uma civilização que, como a nossa, deixa desabar seus organismos educacionais, acha-se gravemente enferma".


Principais obras:
A Europa na Idade Média. São Paulo: Martisn Fontes, 1988.
A história continua. Rio de Janeiro: Jorge Zahar/Editora UFRJ, 1993.
A Idade Média na França, 987-1460: de Hugo Capeto a Joana D’Arc. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.
A sociedade cavaleiresca. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
Adolescence de la chrétienté occidentale, 980-1140. Genebra: Albert Skira, 1967.
As três ordens ou o imaginário no feudalismo. Lisboa: Estampa, 1982.
Diálogos sobre a nova história. Lisboa: Dom Quixote, 1989.
Guelherme Marechal, ou o melhor cavaleiro do mundo. Rio de janeiro: Graal, 1988.
Guerreiros e camponeses: os primórdios do crescimento econômico europeu do século VIII ao século XII. Lisboa: Estampa, 1980.
Histoire de la civilisation française. Paris: Armand Colin, 1958.
Hommes et structures du Moyen Âge (seleção de artigos). Paris: s. n., 1973.
Idade Média, idade dos homens: do amor e outros ensaios. São Paulo: Cia. das Letras, 1990.
O ano mil. Lisboa: Edições 70, 1986.
O cavaleiro, a mulher e o padre. Lisboa: Dom Quixote, s. d.
O domingo de Bouvines. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.
O tempo das catedrais: arte e sociedade, 980-1420. Lisboa: Estampa, 1979.
São Bernardo e a arte cisterciense. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
Senhores e camponeses. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
Como organizador:
Histoire de la France rurale. Paris, Seuil, 1975-7. 4v.
Histoire de la France urbaine. Paris: Seuil, 1980-5. 5v.
História da vida privada. (com Philippe Ariés). São Paulo: Companhia das Letras, 1990-2. 5v.
História das mulheres. (com Michelle Perrot). São Paulo: Companhia das Letras, s. d

ESCOLA DOS ANNALES: JACQUES LE GOFF


Jacques Le Goff, nascido em Toulon, no dia 1º de janeiro de 1924, historiador francês
Jacques Le Goff
Foi um historiador francês
especialista em Idade Média
especialista em Idade Média. Autor de dezenas de livros e trabalhos; membro da Escola dos Annales, se empregou na antropologia histórica do ocidente medieval.
Antigo estudante da École Normale Supérieure, estudou na Universidade Charle de Prague em 1947-48,professor de história em 1950 e membro da École Française de Rome, foi nomeado assistente da Faculté de Lille(1954-59) antes de ser nomeado pesquisador no CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), em 1960. Em seguida, mestre-assistente da VI seção daÉcole Pratique de Hautes Études(1962) - sucedeu Fernand Braudel no comando da École des Hautes Études en Sciences Sociales, onde ele foi diretor dos estudos. Cedeu seu lugar a François Furet em 1967. Na qualidade de diretor de estudo na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Jacques Le Goff publicou brilhantes estudos consagrados, que renovaram a pesquisa histórica, sobre mentalidade e sobre antropologia da Idade Média. Seus seminários exploraram os caminhos então novos da antropologia histórica. Ele publicou os artigos sobre as universidades medievais, o trabalho, o tempo, as maneiras, as imagens, as lendas...

Co-diretor da Escola dos Annales, dirigiu os estudos ligados à “Nova História” , como a coletânea Faire de l’histoire em 1977 e o volumoso Dictionnaire de la Nouvelle Histoire publicado no ano seguinte, levando à revolução dos Annales. Sinal do sucesso de suas teses, ele atuou no renovamento pedagógico de história participando da redação de um manual escolar.
Nos anos 1980 ele trabalhou em uma biografia de São Luís, publicada em 1996. Tudo em recordaçãos das etapas essenciais do reinado de Luís IX, ele renovou o gênero biográfico pelos seus métodos e suas reflexões sobre a possibilidade de conhecer realmente um personagem da Idade Média.

ESCOLA DOS ANNALES: LUCIEN FEBVRE

Lucien Febvre (Nancy, 22 de julho de 1878 — Saint-Amour, 11 de Setembro de 1956) foi um historiador francês, co-fundador da chamada "Escola dos Annales" No período entre-guerras idealizou uma revista de história que fundou, em 1929, em parceria com Marc Bloch: a "Revue des Annales". Essa parceria, formada na Universidade de Estrasburgo, durou apenas treze anos, tempo suficiente, entretanto, para patrocinar marcantes conquistas da História.
A partir dos "Annales", definiram-se as características de uma abordagem da História que se tornou conhecida como "História das mentalidades", a qual, de forma sistematizada, analisa os sentimentos e costumes dos povos em determinado período histórico, baseando-se no princípio do "tempo longo", quando esses hábitos se transformam de maneira lenta ao longo dos tempos.
Muitos estudiosos vêem em Bloch (que foi seu colega em Estrasburgo e na Sorbonne) e Febvre os precursores da História das Mentalidades. Juntos eles fundaram a "VI Section de I'Ecole Practiques de Hautes Etudes" (actual EHESS - Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais).
Em um período marcado por mortes e por dores profundas, as ciências humanas e principalmente a História, apareciam com uma grande parcela de culpa necessitando, assim, de que a compreensão do homem fosse o objetivo básico desse grupo e a interdisciplinaridade fosse o caminho. O livro Sociedade Feudal, de Marc Bloch, demonstra com grande clareza a síntese da longa duração - ou o longo tempo - , a psicologia histórica e a preocupação com a comparação, linguagem e evolução social. A Segunda Guerra Mundial freou esse desenvolvimento. O fim da guerra fez com que Febvre se tornasse o principal difusor dos preceitos da escola.Dirigiu a Revista dos Analles até 1946, quando passou a direção para seu discípulo, Fernand Braudel.

ESCOLA DOS ANNALES: MARC BLOCH

Marc Léopold Benjamim Bloch
 Foi um historiador francês notório por
 ser um dos fundadores
 da Escola dos Annales
 e morto pelos nazistas
durante a Segunda Guerra Mundial
Esta é a primeira biografia de Marc Bloch, historiador e soldado nas duas guerras mundiais. 
Líder da Resistência francesa, foi preso, torturado e morto pela Gestapo em Junho de 1944. 
Como historiador, Bloch é conhecido, em especial, pela sua obra póstuma Apologie pour l'histoire ou Métier d'historien (1949) e como co-fundador da célebre revista Annales. 
Profundamente influenciado pelos dramáticos acontecimentos que marcaram a sua época - guerras mundiais, anti-semitismo e totalitarismo . 
Bloch tornou-se, de algum modo, símbolo do herói intelectual e do espírito crítico e independente. 
Com base na correspondência privada, diários e notas de Bloch, bem como noutros documentos inéditos, Carole Fink retrata-nos a vida e obra deste notável historiador, judeu e patriota francês.

ESCOLA DOS ANNALES: FERNAND BRAUDEL

Fernand Braudel
(1902 - 1985)
Fernand Braudel
Historiador francês nascido em Luméville-en-Ornois, um dos mais importantes representantes da Escola dos Annales e conhecido pela introdução de renovações nos métodos historiográficos tradicionais. Formado em História na Faculté des Lettres de Paris, da Universidade de Sorbonne, ensinou em uma escola na Argélia (1923-1932), enquanto trabalhava na elaboração de sua tese sobre Filipe II de Espanha e o Mediterrâneo. Integrou um grupo de intelectuais franceses (1933-1935) que colaborou na organização da Universidade de São Paulo e foi seu professor (1935-1937).
 Deixou o Brasil ao ser nomeado para a seção de ciências da École Pratique des Hautes Études, em Paris. Passou quase toda a Segunda Guerra Mundial preso em campo de concentração em Lübeck, onde conclui a redação de sua tese, apresentada (1947) e publicada dois anos depois. 
Tornou-se professor do Collège de France (1949) paralelamente diretor do Centre de Recherches Historiques da École des Hautes Études, uma organização não governamental ligada à pesquisa e desenvolvimento das Ciências Humanas.. 
Como Administrador da Maison des Sciences de l'Homme, dirigiu ainda a revista Annales, Economies, Sociétés, Civilisations. 
Seu principal livro sob novos enfoques de concepções históricas foi La Méditerranée et le monde méditerranéen à l'époque de Philippe II (1966) e morreu em Cluses.